NOTA BIOGRÁFICA

 

   

Alain, pseudónimo de Émile-Auguste Chartier, nasceu a 3 de Março de 1868, em Mortagne-au-Perche, na Normandia.

 Aos 17 anos entrou no liceu Michelet de Vanves, onde foi aluno do filósofo racionalista Jules Lagneau: “o único Grande Homem que encontrei”, dirá mais tarde.

Em 1892, é professor titular de Filosofia, sendo nomeado para Pontivy e depois Lorient. Colabora na “Révue Métaphysique et de Morale” até 1907, quando funda a universidade popular de Lorient.

 Inicia-se no jornalismo, assinando Alain, no “Dépêche de Lorient”, jornal radical. No mesmo ano é nomeado para Rouen, começando a escrever no “La Dépêche de Rouen et de Normandie” os célebres “Propos”, em que todo o quotidiano é pretexto de filosofia. Terá escrito, até ao fim da sua vida, cerca de cinco mil “Propos” sob os temas mais diversos.

Em Paris, lecciona  no liceu Condorcet e a  seguir no liceu Michelet. Por  esta  altura realizará  uma série de cursos-conferências no colégio de raparigas Sévigné, a convite da sua directora.

Começam, em 1907, a correspondência e os laços que unirão durante quarenta e cinco anos Alain e Gabrielle Landormy, nascida em 1888.

Em 1909, é professor  no liceu Henri IV, e até ao fim da sua carreira exercerá uma  influência marcante sobre os seus alunos, entre os quais se contam:  Georges Canguilhem, Jean Prévost,  Julien Gracq, Raymond Aron e Simone Weil.

Aos quarenta e sete anos,  e a despeito do seu pacifismo, mas honrando os seus deveres de cidadão e querendo ver de perto os  mecanismos da guerra, alista-se  como soldado de 2ª classe, partindo  como artilheiro  para  a frente. Dessa experiência sairá “Mars, ou la guerre jugée” e vemo-lo abandonar o jornalismo e consagrar-se à  obra filosófica,  até final dos  anos 30, anos  pontuados pela luta política a favor  da paz e contra os fascismos emergentes.

Em 1927 encontra Paul Valéry, poeta de quem diz que a regra não é de olhar primeiro as coisas, mas tirar  os sons de si como duma flauta. Dele comentará os poemas “Charmes” e “La jeune Parque”.

Alain   publica  uma  série de  obras de  carácter  muito diverso  e   propriamente  filosóficas:  “Propos  sur l’esthétique”, “Lettres au Dr. Henri Mondor”, “Éléments d’une doctrine radicale”, “Souvenirs concernant Jules Lagneau”, “Sentiments, passions et signes”, “Les idées et les âges » e « La visite au musicien ».

Alain reforma-se.  A  sua última lição  teve  lugar em 3 de Julho de 1933. O  reitor  de Paris e  o ministro de Monzie assistem à penúltima lição.  No decurso do verão escreve “Les Dieux”. Sobrevêm graves problemas de saúde.

 Em 1934 cria com Rivet e Langevin o “Comité de Vigilance des Intellectuels Antifascistes”.

A sua obra prossegue com “Propos de littérature”,“Propos de politique”,“Propos d’économique”,“Stendhal”,  “Histoires de mes pensées”, “Entretien chez le sculpteur”, « Les saisons de l’esprit », « Propos sur la religion », « Esquisses de l’homme ».  

Reumatismos deformantes condenam-no à cadeira de rodas. De 1939 a 1940 faz uma longa estada na clínica de Ville-d’Avray . Em 1943, “Préliminaires à la mythologie”.    

Gabrielle  Landormy, para  regressar  dos Estados Unidos  onde  se  encontrava há  quinze anos,  alista-se no exército do general Juin, faz a campanha de Itália e junta-se a Alain com o exército de libertação.  Aparecem “Les Aventures du coeur” e “En lisant Dickens”. O casamento com Gabrielle Landormy é celebrado em 27 de Dezembro de 1945.

Em 10 de Maio de 1951 recebe, no  seu  domicilio, no  Vésinet, das mãos do ministro  le  Ronde ( seu antigo aluno) o “Grand Prix National des Lettres”, pela primeira vez atribuído.

Alain morre alguns dias depois, em 2 de Junho de 1951. Está enterrado no Père Lachaise.